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Sociedade

A volta das revoluções


Os estudantes chilenos se organizaram, se concentraram em UM objetivo e ganharam
 
por Silvio Caccia Bava



As revoluções estão de volta. Elas ocorrem quando menos se espera e muitas vezes surpreendem por seus protagonistas se constituírem como novos atores políticos. São processos que começam em razão de alguma violência, arbitrariedade ou discriminação, uma faísca num contexto de opressão, e não se sabe como terminam ou de que propostas de transformações são portadoras. Só podemos compreender seus significados e potencialidades se construirmos para isso uma abordagem histórica. Por exemplo, uma história da opressão e da exploração, seja dos trabalhadores nas fábricas, que dá origem ao sindicalismo estadunidense; ou das mulheres, que dá origem ao movimento feminista; ou ainda dos homossexuais ou dos grupos indígenas, que defendem seus direitos.

Em uma revolução, o que está em causa é o poder. Destituir o poder opressor e criar novas formas de governar no interesse dos grupos que assumem o poder. Muitas vezes, quando a revolução ocorre, as aparentes identidades dos grupos oprimidos se desfazem e abrem campo para disputas, muitas vezes cruéis, entre os grupos que buscam a instituição da nova ordem. As contradições internas às revoluções são também algo importante de ser compreendido. As lutas contra o jugo colonial, pela emancipação nacional, também fazem parte do repertório das revoluções. Essas lutas vão desde as lutas pela independência na América Latina e na África, por exemplo, contra as potencias europeias que as colonizavam; até as lutas anti-imperialistas do século XX e que adentram hoje o século XXI.

Mais recentemente, a Primavera Árabe nos traz surpresas. Povos que viveram por décadas a opressão de regimes autoritários, a partir das mobilizações bem sucedidas da Tunísia e do Egito, resolveram se sublevar e estão transformando radicalmente o cenário geopolítico do Oriente Médio e do Norte da África. No mundo de hoje, globalizado, as experiências em qualquer país podem se transformar em referências para o mundo inteiro. E o sucesso das mobilizações que derrubaram os governos autoritários da Tunísia e do Egito mostrou o caminho da insurgência para muitos outros povos. Talvez tenham até estimulado o surgimento do movimento dos indignados, na Europa. Mas nem sempre as revoluções garantem dias melhores. Muitas delas, ao longo da história, foram apropriadas por grupos de poder, contrariando até mesmo suas próprias bandeiras. Daí a importância da análise e da compreensão dos seus significados, simbólicos e políticos.

Resaltemos as mobilizações e protestos em Chile durante 2011 e 2012, em procura de uma educação universitaria gratuita, ou menos onerosa. Resultado: o então presidente [Piñera] e seu partido perderam as eleições, os líderes estudiantis
receberam grande quantidade de votos e agora são deputados no congresso. A nova presidenta [Bachelet, por segunda vez] se comprometeu a implementar as reivindicações dos estudantes. Resumindo: os estudantes chilenos se organizaram, se concentraram em UM objetivo e protestaram. Três deputados sairam eleitos dentre os manifestantes. Ganhou a educação, o país e a democracia.

Será que poderiamos copiar este \"modelo chileno\" no Brasil ?


Silvio Caccia Bava é Diretor e editor-chefe do Le Monde Diplomatique Brasil


(*) leia o artigo original - fonte: Le Monde Diplomatique Brasil    





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