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Sociedade

Democracia ou Religião ? Diferentes sim, Desiguais não

 
pelo Staff da Revista Consciência Social



Um dos maiores avanzos no mundo contemporâneo foi a separação entre política e religião. Embora este \"divorcio\" esteja ainda em andamento, a tendência é clara, firme e saudávelmente democrática. Exceituando algumas nações ainda na fase do fanatismo, nas quais a religião está inserida na política e no Estado, o mundo caminha rumo à \"libertação\" da democracia, livre de dogmas, crenças e violências religiosas.

O discurso religioso não resiste a nenhuma análise [séria]. A histórica opção das religiões, desde a musulmana ate a cristã, tem sido \"nosso credo ou o inferno\", \"nossa igreja ou a destruição\". E a história demonstra que tem sido destruição mesmo! Erradicar o fanatismo e a intolerância como formas de governo tem sido, sem dúvida, o maior avanço político da história.

As relações políticas, sociais, cívicas, não podem ser orientadas pelas opções religiosas. Os Estados democráticos são Estados laicos. Todos devemos ser iguais diante das leis, sem influência de nossas opções individuais – ideologicas, religiosas, étnicas ou sexuais. A diversidade nas opções de vida exige igualdade nos nossos direitos como cidadãos.



Os Estados religiosos – sejam islâmicos, sionistas ou cristãos – fazem das diferenças religiosas elementos de discriminação social [exceito meses antes das eleições]. Um Estado democrático é um Estado laico [nem religioso, nem étnico] que garante os direitos às opções privadas das pessoas. Uma pessoa pode se negar a fazer aborto, mas não impedir que outra o faça. Os que querem casar com pessoas do mesmo sexo, não podem obrigar os outros a fazerem o mesmo. Se alguem quer ter cinco filhos, não pode obrigar outros casais a fazerem o mesmo.

A educação pública também deve ser laica. Os que querem ter uma educação religiosa, devem procura-la em escolas religiosas, conforme o seu credo. Da mesma forma a saúde pública deve atender a todos, conforme suas opções individuais, sem prejudicar os direitos dos outros. Nenhuma instituição ou comunidade religiosa tem o direito de impor suas visões a toda a sociedade, mesmo que seja por vias pacíficas. Alias, não existe imposição \"pacifica\". Toda tentativa de \"convencer\" o outro a ser ou pensar de uma determinada forma, e não como ele quer, é um ato de violência, e portanto anti-democrático. O fim não justifica os meios.

O sorriso [falso entanto condicionado] do religioso que tenta \"converter\" o próximo em algo diferente, continua sendo um ato violento, inclusso terrorista, porquanto o religioso age por tras com segundas intenções. O religioso não apenas quer a \"salvação\" do próximo. Ele também quer que imite seus costumes, comparta as crenças e respeite as mesmas normas, sobe pena de exclusão e maltrato. Os religiosos devem orientar seus fieis, abrir as portas, mas nunca ir bater na porta do vecinho, nem tentar impor aos outros suas crenças. O problema de toda instituição é que a maior número de seguidores, maior o poder que detem seus chefes.

Religião e política são coisas diferentes, mistura-las e ter Estados religiosos – como Irã, Israel, Vaticano - desemboca em visões totalitárias. Democracia é ser iguais nos direitos e nas possibilidades de sermos diferentes. Na democracia, o bem comum é uma construção coletiva. Quanto mais pessoas fazem parte de uma decisão, mais ela se legitima. Isto não significa que a maioria tenha o direito de impôr seus costumes nos outros. A democracia existe para garantir que TODOS possam viver com os mesmos direitos. A política é a arte da concertação, da amplitude, da apertura e da tolerância.

A religião é intolerante, ela pretende forjar a vontade social através de suas verdades absolutas e seus dogmas rígidos. Num mundo de paz, diverso, multicultural e interdependiente, não há espaço na política para nenhuma religião. A menos claro, que você quera arrisca-lo tudo e voltar novamente à era das trevas, onde pensar o que vem quiser era suficiente para morrer queimado.

Em que tipo de mundo você quer viver?


(*) leia o artigo original - fonte: Blog de Emir Sader    





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