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cultura

Bienal da Bahia


Uma festa cultural que ainda não aconteceu
 
pelo Staff da Revista Consciência Social



Nem colocamos aqui o título da bienal, por ser desrespeituoso e tão lamentável quanto o desfile de apertura [foto]. Na Bahia, a segunda Bienal em 1968 foi censurada e cancelada pela ditadura, obras foram \"desaparecidas\". Agora na sua terceira edição os curadores dizem pretender reencenar uma luta. E conseguiram! mas a luta não é aquela contra o regime totalitário e seus símbolos mas contra os referentes afro-brasileiros, contra a diversidade, e definitivamente contra a cultura, que por definição é sempre \"popular\".

Não existe cultura da minoria. Mas na Bahia, terra da alegria e da senzala, a minoria branca continua teimando com o positivismo republicano do século XIX, e se colocando como único referente cultural. É assim que o diretor da tão demorada terceira bienal da Bahia foi um paulista, que mal conhece a terra do nordeste. Para a apertura, o artista convidado veio, logicamente, de Portugal, e para encenar a mencionada \"luta\" um grupo de pessoas totalmente nuas fazia a festa da roda. Por favor não pensem mal, não houve discriminação alguma. Quando consultado um dos participantes porque não havia nenhum preto nu, falou: \"tal vez foram presos\"...

O vexame foi de tal porte, que para não ficar apenas na denuncia e no palavrório,
encomendamos uma pesquisa. Sim, ainda do holocausto cultural ficamos no prejuízo material. Mas valeu a pena! Foram entrevistados 620 pessoas, brasileiras, entre 18 e 53 anos.

Resultados:
71% não sabiam que estava acontecendo uma Bienal
Dos que sabiam, um terço teve dificuldade em achar informação
8% assistiram a pelo menos uma amostra
4% assistiram a mais de duas amostras
2% acharam coisas interessantes

Esse é o resultado pífio de uma Bienal de cem dias [ou seria melhor falar \"sem dias\"?], depois de cinqüenta anos de nada. Não adianta ficar nas explicações. Nos países onde pelo menos o pensamento é desenvolvido, o que conta são os resultados. E os resultados desta Bienal foram pífios. Não é surpresa, a maioria dos cidadãos [artistas e públicos] ficaram de fora. Foi uma bonita Bienal realizada pela e para a \"minoria branca da casa-grande\", que ainda se acha européia e enxerga qualquer diferença [que nega esta condição] pejorativamente.

Mas poucos esperavam coisa melhor. Os curadores falaram de luta, censura e trauma. Haveria que deixar claro [para os organizadores] que não se luta apenas contra os personagens da ditadura, mas fundamentalmente contra os princípios instaurados durante aquele regime:
o estado de privilegio e exceção, a censura, o discurso único. A casa-grande e sua vizinhança cometem o mesmo velho erro do fascismo: em prol da liberdade combatem apenas a figura do opressor, apenas para ocupar seu lugar e instaurar seu próprio regime de exceção.

O titulo da Bienal: \"É tudo Nordeste?\" demonstra sim luta, censura e trauma. Mas sobretudo uma intolerância raivosa sobre o nordeste e tudo aquilo que constitui a cultura baiana. Mais que uma volta à democracia cultural [depois de 50 anos ???]
parece uma volta aos tempos de chumbo: intolerância, exclusão e identidade imposta à força. Nada de novo. A violência, mesmo que simbólica, continua destruindo valores. Não vamos nem citar aqui os nomes dos responsáveis e principais envolvidos, eles não importam, passarão inadvertidos sem deixar legado algum, apenas os séquitos pessoais lembrarão seus nomes. Viva a Bienal da Bahia!, aquela que ainda vai acontecer, algum dia, em regime democrático do século XXI.

   





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